Picsum ID: 903
O Ministério da Planejamento prepara para este semestre a realização de novos leilões de concessões e parcerias público-privadas (PPPs) dentro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), com meta ambiciosa de desinvestimento superior a R$ 50 bilhões. A pasta, sob coordenação do ministro Simone Tebet, mapeou pelo menos 23 projetos prioritários nos setores de saneamento, rodovias e ferrovias, concentrando oportunidades em estados como São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Bahia.
[‘
Segundo dados divulgados pela Agência Brasil, o governo federal espera superar o patamar de investimentos do PAC anterior — que despejou cerca de R$ 350 bilhões entre 2007 e 2010 — ao projetar um fluxo total de R$ 1,7 trilhão até 2026 nos chamados Pilares de Investimento e de Regulação e Licenciamento. Dessa cifra, aproximadamente R$ 686 bilhões estão destinados à infraestrutura de saneamento básico, o maior pilar do programa, seguido por R$ 417 bilhões em mobilidade urbana e R$ 364 bilhões em transmissão de energia elétrica, conforme apontou o Valor Econômico ao detalhar a composição setorial do PAC.
‘, ‘
O mapa de prioridades revela concentração regional significativa. São Paulo lidera com o maior volume de projetos elegíveis, incluindo a concessão de trechos da Rodovia Anhanguera e a expansão do metrô metropolitano. Minas Gerais destaca-se com a ferrovia Porto de Açu e a duplicação da BR-381. O Paraná aparece como protagonista em saneamento, com a licitação da SANEPAR prevista para o segundo semestre, enquanto a Bahia concentra projetos portuários ligados ao complexo industrial de Camaçari. O BNDES, que atua como agente financeiro do programa, sinalizou disponibilidade de crédito subsidiado para os vencedores dos leilões.’, ‘
A análise de execução do PAC anterior aponta lições importantes. O Programa de Aceleração do Crescimento 1 e 2, lançados durante os governos Lula e Dilma, enfrentaram atrasos que variaram de 40% a 60% em relação aos cronogramas originais, segundo levantamento do Tribunal de Contas da União (TCU). O ministro Simone Tebet reconheceu em coletiva de imprensa que a nova gestão busca antecipar processos de licenciamento ambiental — historicamente o maior gargalo — por meio de parcerias com os estados para emissão conjunta de licenças prévias.’, ‘
O impacto projetado para o Produto Interno Bruto (PIB) é considerado expressivo por analistas do mercado financeiro. Estudo encomendado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que cada R$ 1 bilhão investido em infraestrutura gera R$ 1,8 bilhão em atividade econômica indireta e aproximadamente 15 mil empregos diretos e indiretos. A FGV calculou que a execução integral do PAC pode acrescentar entre 0,4 e 0,7 ponto percentual ao crescimento do PIB ao longo dos próximos dois anos, com maior efeito no setor de construção civil, que já opera com taxa de ocupação de mão de obra acima de 92% em grandes capitais.’, ‘
O mercado de construção civil já demonstra sinais de aquecimento antecipado. A Associação Brasileira de Construtoras (AindaConstru) registrou aumento de 23% em consultas para licitações de infraestrutura no primeiro trimestre de 2025 comparado ao mesmo período do ano anterior. Empresas como Odebrecht Engenharia, Queiroz Galvão, CCR e WEM participam do radar de licitantes, embora analistas alertem para o risco de concentração excessiva em poucos grupos econômicos em caso de pacotes de concessão muito volumosos.
‘]
A aceleração dos leilões do PAC 2025 representa um teste decisivo para a capacidade do governo federal de converter planos ambiciosos em obras efetivas. Se executada na velocidade planejada, a rodada de concessões pode redefinir o cenário de infraestrutura brasileira para a década — mas o histórico de atrasos do programa anterior exige ceticismo saudável e cobrança contínua da sociedade civil e do controle externo.
Fontes consultadas:
- Ministério da Planejamento (gov.br/planejamento)
- Agência Brasil (agenciabrasil.ebc.com.br)
- Valor Econômico (valor.globo.com)
- BNDES (bndes.gov.br)
- Tribunal de Contas da União (tcu.gov.br)
- Confederação Nacional da Indústria (cni.org.br)
- Fundação Getulio Vargas (fgv.br)
