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O governo federal divulgou novo cronograma de obras do PAC 2.0 com meta de aceleração de 47 projetos estratégicos de infraestrutura, saneamento e mobilidade, abrangendo investimentos de R$ 1,7 trilhão. A Casa Civil conduz reuniões semanais com governadores para destravar gargalos burocráticos em estados como Bahia, Pará e Minas Gerais, onde licenças e licitações acumulam atrasos que comprometem a execução dos empreendimentos.
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Segundo dados do Portal PAC, divulgados em maio de 2025, o governo federal identificou 47 projetos considerados estratégicos que demandam ação imediata para sair do papel ou retomar ritmo de construção. A lista inclui obras de saneamento básico, hidrelétricas, ferrovias, rodovias e sistemas de metrô em pelo menos 18 unidades da federação. A meta é que pelo menos 60% desses empreendimentos tenham licenças ambientais e contratos licitados até o final do semestre.
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A pressão da Casa Civil, conduzida pelo ministro Rui Costa, tem se materializado em reuniões semanais com os governadores dos estados onde os maiores gargalos se acumulam. Conforme apurou a Agência Brasil, o governo da Bahia enfrenta atraso de 18 meses na licitação do trecho norte da linha verde de saneamento que atende 2,3 milhões de habitantes na Região Metropolitana de Salvador. No Pará, a construção de hospitais de referência na região de Carajás parou em 2024 por disputa sobre contrapartidas estaduais.
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Cruzando dados de execução orçamentária do Ministério da Gestão e da Inovação com as metas apresentadas no relançamento do programa em 2023, o balanço revela um quadro misto. Dos R$ 189 bilhões previstos para a fase inicial do PAC 2.0 no Setor Elétrico, apenas R$ 41 bilhões foram efetivamente empenhados até março de 2025 — uma taxa de execução de 21,7%. No saneamento, o desempenho é ligeiramente melhor, com R$ 27 bilhões empenhados dos R$ 97 bilhões previstos, segundo balanço publicado pelo Valor Econômico.”, “
Gestores estaduais ouvidos apontam pelo menos três frentes de bloqueio. A primeira é a demora na obtenção de licenças do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), que segundo o próprio Planalto acumula 237 processos de obras do PAC em análise há mais de 12 meses. A segunda é a resistência de estados a assinar contratos de repasse que exigem contrapartidas em um momento de crise fiscal. A terceira, apontada por técnicos do Ministério da Integração, é a escassez de projetos executivos prontos — em muitos casos, o governo anunciou a obra antes de concluir o detalhamento técnico necessário para licitação.
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A comparação entre a realidade física das obras e as promessas iniciais do programa também revela distorções. Das 22 obras de metrô e trens urbanos listadas como prioritárias, apenas cinco contam com contratos assinados. O trecho 3 do metrô de Salvador, por exemplo, que seria inaugurado até 2026, hoje sequer tem data prevista para início da escavação. Já a Ferrogrão, que ligará Mato Grosso ao Arco Norte, passou por novo estudo de viabilidade que adiou a licitação para o segundo semestre de 2025.
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Apesar dos atrasos, o governo insiste que o cronograma revisado do PAC 2.0 é factível e que a pressão política sobre governadores e órgãos reguladores produzirá resultados nos próximos meses. Economistas ouvidos pelo Valor Econômico alertam, porém, que a janela de execução encurta à medida que o ciclo eleitoral de 2026 se aproxima, e que muitas obras anunciadas com fanfarra podem se transformar em promessas incompletas — repetindo o que ocorreu com o PAC original lançado em 2007, quando apenas 42% dos investimentos prometidos foram efetivamente executados ao longo de toda a gestão.
Fontes consultadas:
- Portal PAC (pac.gov.br)
- Agência Brasil (agenciabrasil.ebc.com.br)
- Ministério da Gestão e da Inovação (gestao.gov.br)
- Valor Econômico (valor.globo.com)
- Casa Civil – Planalto (gov.br/casacivil)
