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O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 1,2% no primeiro trimestre de 2024 em relação ao trimestre anterior, segundo dados do IBGE divulgados nesta quarta-feira — uma performance muito acima dos 0,8% projetados pelo mercado e que coloca o Banco Central diante de um quebra-cabeça complexo na véspera da reunião do COPOM que decidirá os rumos da taxa Selic.
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Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelaram que o consumo das famílias foi o principal motor da expansão, contribuindo com 0,7 ponto percentual para o resultado agregado. Serviços continuam sendo o carro-chefe da economia brasileira, responsáveis por mais de 70% do PIB total, e registraram avanço robusto impulsionados pelo mercado de trabalho aquecido e pela correção real dos salários.
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O.sulake do Investimento, porém, contou história diversa. A formação bruta de capital fixo (FBCF) recuou no trimestre, sinalizando desindustrialização e perda de competitividade do parque produtivo nacional. Segundo o técnico-chefe da conta de PIB do IBGE, Rebeca Palis, “a indústria de transformação enfrenta dificuldades estruturais como custo elevado de energia e juros reais altos”. Já o agronegócio, que historicamente puxa alta no início do ano por conta da safra, apresentou resultado negativo atípico por impacto de secas em regiões-chave.’, ‘
O relatório Focus do Banco Central, publicado na segunda-feira, apontava projeção consolidada de 0,8% para o trimestre e mantinha a estimativa de queda de 0,05 ponto percentual na Selic na reunião desta semana — de 10,50% para 10,25% ao ano. Com o número surpresa do IBGE, economists de bancos privados passaram a questionar se o Copom manterá a cautela que o presidente Roberto Campos Neto sinalizou em pronunciamentos recentes. A consultoria Economatica reviu para baixo a probabilidade de corte, de 60% para 45%.
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O economista-chefe do Itaú Unibanco, Rafael Goldszmidt, avaliou em nota que “o resultado forte do PIB não deve alterar o patamar de taxa básica, mas certamente vai pesar na narrativa do Banco Central”. Para ele, a combinação de consumo aquecido e inflação de serviços ainda acima da meta (em torno de 4,7% acumulada em 12 meses, segundo o IPCA de abril) dá subsídio para que o COPOM adote postura mais prudente e sinalize cortes apenas a partir de agosto, quando terá novos dados de inflação e mercado de trabalho.
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A análise da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE) aponta divergência interna: enquanto o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) atingiu 61,8 pontos em maio — maior nível desde 2021 —, o Índice de Atividade Econômica do Brasil (IVA) desacelerou para 1,2% na média móvel trimestral. “Estamos diante de uma economia de dois ritmos: o consumo puxa para cima, a indústria puxa para baixo”, sintetizou o diretor de macroeconomia da instituição, Silvio Costa Ferraz.
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O cenário pós-divulgação do PIB do primeiro trimestre sugere que o banco central terá难dades em justificar um corte agressivo da Selic na reunião desta semana, embora o ciclo de monetário restritivo esteja perto do fim. Investidores e analistas agora miram o boletim Focus de sexta-feira e os próximos dados do IPCA para calibrar expectativas. Se a inflação de serviços permanecer persistente e o consumo não desacelerar naturalmente, o COPOM pode optar pela paciência — postergando o primeiro corte para setembro, quando as projeções de crescimento do PIB de 2024 deverão ser revistas para cima pelo mercado.
Fontes consultadas:
- IBGE – PIB do 1º Tri/2024 (portal de dados e release, 30/05/2024)
- Banco Central do Brasil – Relatório Focus semanal (Nota para a Imprensa, 27/05/2024)
- FGV IBRE – Índices de Confiança e Atividade Econômica (comunicado oficial, 2024)
- Banco Central do Brasil – Notas para a Imprensa sobre COPOM (site institucional)
- Ministério da Fazenda – Análise de Receitas e Despesas (comunicados oficiais)
