A rigidez processual no Supremo Tribunal Federal prevaleceu ao barrar um habeas corpus em favor do ex-presidente Jair Bolsonaro, que buscava converter sua prisão em regime domiciliar.
O ministro Gilmar Mendes indeferiu o pedido por inadmissibilidade manifesta, argumentando que o autor do recurso não integra a defesa técnica oficial do réu.

O habeas corpus solicitava exame pelo Conselho Federal de Medicina da estrutura prisional para garantir assistência médica contínua, alegando inadequação do ambiente carcerário.
Encaminhado inicialmente à ministra Cármen Lúcia por critério de prevenção, o caso foi redistribuído, com remessa determinada pelo vice-presidente Alexandre de Moraes.
Essa decisão reforça a exigência de representação qualificada em ações constitucionais, evitando o uso indiscriminado de instrumentos como o habeas corpus por terceiros alheios ao processo.
Criticamente, o episódio expõe vulnerabilidades no sistema: pedidos periféricos podem sobrecarregar a Corte, distraindo de julgamentos centrais e questionando a efetividade da defesa de Bolsonaro.
Implicações incluem maior escrutínio sobre condições prisionais para figuras políticas, mas também risco de politização judicial se tais recursos proliferarem sem filtro.
No contexto de detenção prolongada, a rejeição pode intensificar debates sobre direitos humanos no cárcere versus accountability por atos passados.
A manutenção da prisão sinaliza compromisso com a imparcialidade, mas testa a resiliência institucional frente a polarizações persistentes no Brasil.
