A polarização política rompeu a tradição de vitórias no primeiro turno, forçando um embate decisivo entre o moderado de esquerda e o radical de direita.

António José Seguro, ex-líder socialista, liderou o primeiro turno com discurso de equilíbrio institucional e união de eleitores indecisos, especialmente mulheres, jovens e pessoas com ensino superior.
André Ventura, fundador do Chega, garantiu a vaga com plataforma populista anti-imigração, redução de impostos, aumento de pensões e retórica confrontacional que resgatou lemas conservadores.
O crescimento do Chega — de 1,3% para cerca de 23% em poucos anos — reflete descontentamento com partidos tradicionais, inflação persistente e debates sobre imigração e custo de vida.
Seguro atraiu voto útil da esquerda e parte do centro-direita, beneficiando-se de rejeição elevada a Ventura, que supera 60% segundo pesquisas.
A disputa testa a resiliência da moderação contra o avanço da ultradireita em uma democracia consolidada pós-ditadura.
Implicações incluem possível endurecimento de políticas migratórias se Ventura vencer, afetando comunidades estrangeiras, incluindo brasileiros em Portugal.
Uma vitória de Seguro reforçaria estabilidade institucional, mas dependerá de mobilização contra o discurso radical.
O segundo turno definirá se Portugal opta por contenção ou ruptura, com impacto no tom político europeu.
