Em janeiro de 2026, relatos consistentes indicam que autoridades iranianas condicionam a liberação de corpos de manifestantes mortos durante protestos ao pagamento de somas elevadas.

Valores exigidos variam de 700 milhões a 1 bilhão de tomans — equivalente aproximado a 5 mil a 7 mil dólares —, quantia inviável para a maioria das famílias, que recebem menos de 100 dólares mensais em média.
Corpos são retidos em hospitais e necrotérios controlados por forças de segurança, como o de Behesht-e Zahra em Teerã e o Poursina em Rasht, onde chegaram dezenas de vítimas em um único dia.
Em alguns casos, funcionários alertam parentes para retirar os corpos antes da intervenção de agentes, evitando a extorsão.
Autoridades oferecem liberação gratuita se famílias declararem que o falecido pertencia à milícia Basij e foi morto por manifestantes — narrativa que transforma vítimas em “mártires” do regime.Essa prática transforma luto em chantagem financeira, punindo economicamente quem já perdeu entes queridos na repressão.
O número de mortos confirmados por organizações de direitos humanos ultrapassa 2.500 a 3.400, com estimativas independentes sugerindo cifras bem maiores devido ao bloqueio de internet e controle sobre informações.
A extorsão não é isolada: integra estratégia de controle total, onde o regime monetiza a violência e manipula narrativas para desmoralizar oposição e financiar repressão.
Implicações vão além da crueldade imediata: reforçam isolamento econômico do regime, alienam ainda mais a população e expõem fragilidade moral da teocracia, que instrumentaliza fé e morte para manter poder.
Em contexto de protestos nacionais intensos, tais atos aceleram erosão de legitimidade interna, enquanto atraem condenação internacional e aumentam risco de intervenção externa.
A prática revela limite da repressão: quando o Estado cobra pelas balas usadas contra cidadãos, perde qualquer resquício de autoridade moral.
