Contexto
A disputa comercial entre Estados Unidos e China atinge um novo ponto de tensão, focada no estratégico setor de veículos elétricos (EVs). Nos últimos anos, agressivos subsídios estatais e inovações tecnológicas consolidaram as montadoras chinesas como líderes globais de produção, gerando forte preocupação em Washington sobre a concorrência e a segurança de sua própria base industrial.
Panorama atual
Em uma medida drástica anunciada nesta semana, o governo dos EUA impôs uma nova tarifa de 100% sobre a importação de veículos elétricos fabricados na China. A decisão, que entra em vigor imediatamente, visa frear a entrada massiva dos modelos chineses no mercado americano e proteger as montadoras locais que ainda tentam escalar sua produção de EVs.
“Não podemos permitir que a China inunde nosso mercado com veículos elétricos subsidiados artificialmente, o que ameaçaria o futuro da indústria automobilística americana e os empregos que ela sustenta.” — Gina Raimondo, Secretária de Comércio dos EUA, em comunicado ao Valor Econômico (fonte)
O que esperar
Analistas preveem uma retaliação iminente por parte de Pequim, com possíveis sobretaxas a produtos americanos, especialmente agrícolas e de tecnologia. A decisão também pressiona a União Europeia, que debate internamente a aplicação de suas próprias barreiras para evitar que os EVs chineses sejam desviados para seu mercado.
Repercussão
A reação dos mercados foi de forte volatilidade, com queda nas ações de montadoras europeias, como Volkswagen e BMW, que possuem grande exposição ao mercado chinês. Especialistas em comércio exterior do banco UBS alertam para um risco crescente de fragmentação da cadeia de suprimentos global, o que poderia resultar em aumento de custos para os consumidores em todo o mundo.
