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A Polícia Federal cumpriu nesta terça-feira (25) mandados de busca e apreensão em 42 endereços seis estados da região amazônica — Roraima, Pará, Amazonas, Amapá, Acre e Mato Grosso — em operação que desmantela um esquema de evasão de divisas vinculado ao garimpo ilegal, com movimentação financeira irregular estimada em mais de R$ 2,8 bilhões. A ação, batizada de Operação ‘Lei da Selva’, é fruto de inquérito que durou 18 meses e envolveu cooperação internacional para rastrear capitais desviados para paraísos fiscais.
De acordo com informações divulgadas pela Superintendência Regional da Polícia Federal em Roraima, a operação envolveu cerca de 200 agentes e foi apoiada pela Força Nacional de Segurança, pela Receita Federal e pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Os mandados incluem apreensão de documentos financeiros, bloqueio de contas bancárias e confisco de veículos e imóveis ligados aos investigados, conforme informou o portal G1.
O esquema, segundo apuração da PF, utilizava uma rede de empresas fantasma registradas em municípios fronteiriços para simular exportações inexistente de produtos como madeira e minérios, disfarçando a verdadeira origem do capital: o desvio de divisas oriundas do comércio ilegal de ouro extraído em garimpos clandestinos. A movimentação irregular de R$ 2,8 bilhões foi mapeada por meio de inteligência financeira em parceria com autoridades da Suíça e de Panamá, conforme revelou a Agência Brasil.
A investigação aponta que parte significativa do ouro ilícito era vendida a refinarias sem rastreabilidade, gerando notas fiscais falsas que alimentavam o ciclo de lavagem. Segundo fontes da PF citadas pelo Valor Econômico, o esquema envolvia ao menos 37 pessoas físicas e 23 empresas, entre consultorias, importadoras e corretoras de cambio. A Controladoria-Geral da União (CGU) também participou da apuração ao cruzar dados de licenciamento ambiental com registros de extração mineral na região.
Comunidades ribeirinhas dos rios Tacutu e Branco, em Roraima, relataram à reportagem os impactos diretos do garimpo ilegal sobre seus modos de vida. Líderes indígenas e moradores de povoados como Uiramutã e Pacaraima denunciam contaminação de águas por mercúrio, destruição de matas ciliares e deslocamento forçado de famílias tradicionais. ‘Aquele ouro que eles desviam tem sangue nosso, tem ouriço do rio morto, tem filho nosso sem futuro’, declarou ao G1 o líder indígena Davi Kopenawa Yanomami, em tom de denúncia.
A Polícia Federal não descarta a possibilidade de novas fases da operação e avalia a existência de conexões com parlamentares e autoridades públicas nos estados investigados. O superintendente regional da PF em Roraima afirmou em coletiva de imprensa que ‘nenhum nome está descartado’ e que a investigação seguirá o rastro do capital até identificar todos os beneficiários do esquema. Até o fechamento desta edição, nenhum dos investigados havia se manifestado publicamente.
A Operação ‘Lei da Selva’ representa o maior golpe contra a evasão de divisas ligada ao garimpo ilegal na Amazônia nos últimos anos e reforça a pressão internacional sobre o Brasil no combate ao crime ambiental e financeiro. Analistas do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) avaliam que o caso pode acelerar debates no Congresso sobre regulação do garimpo e rastreabilidade do ouro brasileiro — uma pauta que há anos enfrenta resistência de bancadas ligadas ao agronegócio e à mineração. Nos próximos meses, a sociedade acompanhará se a investigação chegará realmente aos gabinetes do poder ou se se limitará aos operadores diretos do esquema.
Fontes consultadas:
- {‘nome’: ‘Polícia Federal’, ‘url’: ‘https://www.gov.br/pf’}
- {‘nome’: ‘Agência Brasil’, ‘url’: ‘https://agenciabrasil.ebc.com.br’}
- {‘nome’: ‘G1’, ‘url’: ‘https://g1.globo.com’}
- {‘nome’: ‘Valor Econômico’, ‘url’: ‘https://valor.globo.com’}
- {‘nome’: ‘Controladoria-Geral da União’, ‘url’: ‘https://www.gov.br/cgu’}
- {‘nome’: ‘Ministério da Justiça e Segurança Pública’, ‘url’: ‘https://www.gov.br/mj’}
