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Uma semana de agenda econômica intensa coloca os mercados financeiros em alerta máximo. A chamada “Super Quarta” — coincidência entre as reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil e do Federal Open Market Committee (FOMC) do Federal Reserve dos EUA — concentra as maiores atenções, mas o período de 26 a 30 de janeiro traz ainda indicadores de inflação, emprego e atividade que podem alterar trajetórias de ativos em moedas emergentes e desenvolvidas.

O termo “Super Quarta” descreve dias em que as duas principais autoridades monetárias do mundo anunciam decisões simultaneamente, criando potencial para volatilidade cruzada em câmbio, renda fixa e ações. No contexto atual, o Brasil mantém taxa Selic elevada em patamar restritivo, enquanto os EUA sinalizam pausa após sequência de ajustes. Essa configuração reflete dinâmicas distintas: inflação persistente e resiliência econômica no Brasil versus moderação gradual nos EUA.
No Brasil, o Copom reúne-se nos dias 27 e 28 de janeiro, com anúncio previsto para as 18h30 da quarta-feira. A expectativa consensual aponta manutenção da Selic em 15% ao ano, patamar vigente desde meados de 2025. Instituições como Bradesco destacam que moderação recente na atividade econômica, na inflação e nas expectativas inflacionárias criam condições para eventual início de ciclo de redução do aperto monetário. Contudo, o comunicado e a ata subsequente — divulgada na terça-feira seguinte — serão escrutinados em busca de pistas sobre timing e ritmo de eventuais cortes. Qualquer sinal de dovish (mais acomodatício) pode aliviar pressão sobre ativos locais, enquanto tom hawkish reforçaria prêmio de risco.
Nos Estados Unidos, o FOMC anuncia decisão em 28 de janeiro, às 16h (horário de Brasília). Após três reduções consecutivas na taxa de juros (Fed Funds), o mercado precifica pausa, mantendo o intervalo atual. A coletiva de Jerome Powell, logo após o anúncio, ganha protagonismo: investidores buscam clareza sobre como o Fed interpreta dados recentes de resiliência econômica e eventuais riscos inflacionários. Declarações que sugiram prolongamento da pausa ou retomada de cortes influenciam diretamente o dólar global e fluxos para emergentes.
A agenda brasileira complementa o quadro com indicadores sensíveis. Na terça-feira (27), o IBGE divulga o IPCA-15 de janeiro, prévia oficial da inflação oficial. Projeções apontam alta mensal moderada, influenciada por reversão em passagens aéreas, bandeira verde na energia elétrica e pressões em alimentos e bens industriais. Na sexta-feira (30), saem os dados de mercado de trabalho: Caged (empregos formais de dezembro, com expectativa de saldo negativo sazonal de cerca de 511 mil vagas) e PNAD Contínua (taxa de desemprego projetada em 5,2%). Resultados melhores que o esperado reforçariam narrativa de economia aquecida, adiando cortes de juros; números fracos poderiam antecipar flexibilização.
Outros destaques incluem:
- Segunda-feira (26): Relatório Focus semanal, sondagem do consumidor (FGV) e balança comercial parcial.
- Terça-feira (27): Sondagens da construção, INCC-M e confiança do consumidor nos EUA.
- Quinta-feira (29): IGP-M, sondagens de serviços e comércio (FGV), pedidos de auxílio-desemprego nos EUA.
- Sexta-feira (30): IGP-M, PIB da Área do Euro (4º tri), índice de preços ao produtor nos EUA, PMI composto da China.
Internacionalmente, a semana fecha com leituras de inflação na Alemanha e atividade na China, ambos influenciando commodities e sentimento global.
Os riscos e limitações merecem atenção. Decisões monetárias raramente surpreendem no anúncio imediato, mas o forward guidance (orientação futura) pode gerar reprecificações abruptas. No Brasil, divergências internas no Copom — embora raras — poderiam sinalizar debate sobre inflação de serviços. Nos EUA, divisão no FOMC (decisão não unânime) indicaria maior incerteza. Além disso, eventos políticos locais, como o fim do recesso parlamentar e avanços em acordos comerciais (UE-Mercosul), adicionam ruído periférico.
Em termos de implicações, a semana testa a resiliência de ativos de risco. Manutenção hawkish nos dois lados pode fortalecer o dólar e pressionar moedas emergentes; sinais de afrouxamento mais cedo beneficiariam Bolsa e renda fixa prefixada. A simultaneidade das decisões amplifica o efeito de feedback entre mercados, tornando a liquidez e o posicionamento prévio fatores críticos.
O período ilustra como política monetária global continua interconectada. Enquanto o Brasil lida com inflação doméstica acima da meta e necessidade de ancorar expectativas, os EUA navegam transição para regime de juros neutros. O desfecho dessa Super Quarta e dos indicadores adjacentes definirá o tom para fevereiro, influenciando decisões de alocação em portfólios diversificados.
Fontes de referência: Informações extraídas e cruzadas de publicações especializadas em economia e mercados (InfoMoney, Valor Investe, E-Investidor, CNN Brasil e relatórios de instituições financeiras), incluindo expectativas consensuais e projeções institucionais. Todo o conteúdo foi reescrito de forma original e independente.
