Fórum Econômico Mundial
Líderes tecnológicos em Davos deslocaram o foco de capacidades técnicas para consequências humanas e organizacionais na era da inteligência artificial.

Dario Amodei, CEO da Anthropic, alertou que modelos de IA realizarão a maior parte — talvez tudo — do trabalho de engenheiros de software em 6 a 12 meses, criticando a venda de chips avançados à China como equivalente a “fornecer armas nucleares à Coreia do Norte”.
Demis Hassabis, do Google DeepMind, previu desaceleração nas contratações de profissionais juniores em 2026 devido à automação, mas defendeu que ferramentas de IA podem acelerar criação de habilidades mais do que caminhos tradicionais.
Satya Nadella, da Microsoft, enfatizou que empresas grandes que ignorarem a transformação serão superadas por players menores, insistindo que ninguém pode “ficar de passagem” na era da IA.
Aashna Kircher, da Workday, destacou um paradoxo: tarefas individuais aceleram com IA, mas resultados organizacionais não acompanham na mesma velocidade, exigindo investimento simultâneo em pessoas e valor criado, não apenas eficiência.
A conversa evoluiu para questões existenciais: quem queremos que as pessoas se tornem em um mundo dominado por IA, e estamos investindo corretamente nelas como parceiras da tecnologia?
Criticamente, o debate revela tensão entre aceleração exponencial da IA e lentidão na transformação humana e organizacional: sem foco em reskilling, contexto ético e governança ágil, a produtividade individual mascara estagnação sistêmica e aumenta riscos de desigualdade e burnout.
Implicações incluem pressão por modelos de IA com “contexto humano” — entendendo habilidades, riscos e valores —, mas também alerta para geopolítica: restrições unilaterais de exportação podem fragmentar inovação global, beneficiando rivais que priorizem escala sobre regulação.
O Fórum sinaliza fechamento de janela para adaptação: sucesso depende menos de tecnologia e mais de liderança capaz de integrar homem e máquina sem sacrificar agência humana.
