Trump em Davos
A União Europeia mantém reunião de emergência na Bélgica para coordenar resposta às ameaças de Donald Trump à soberania da Groenlândia, mesmo após recuo parcial do presidente americano.

O encontro, presidido por António Costa, foca em defesa da integridade territorial dinamarquesa, apoio à autodeterminação groenlandesa e proteção de interesses comerciais frente a ameaças tarifárias.
Emmanuel Macron condenou o tom de “bullying” e imperialismo, afirmando que a Europa não se curvará à lei do mais forte, enquanto Ursula von der Leyen prometeu reação firme, unida e proporcional.
Trump, em Davos, suspendeu tarifas de 10% contra oito nações europeias, descartou uso de força e anunciou acordo vago com a OTAN para segurança ártica, incluindo cessão de áreas para bases e expansão do “Domo de Ouro”.
O New York Times revelou que o pacto prevê controle americano sobre porções da ilha para fins militares, justificando vigilância contra ameaças russas e chinesas no derretimento polar.
O Parlamento Europeu suspendeu ratificação de acordo comercial com os EUA e avalia “bazuca comercial”: tarifas retaliatórias de até 93 bilhões de euros sobre importações americanas, restrições a investimentos e serviços.
Criticamente, a crise expõe fissura profunda na aliança transatlântica: ameaças unilaterais de Trump aceleram busca europeia por autonomia estratégica, reduzindo dependência de segurança americana.
A Groenlândia, chave para rotas árticas emergentes e recursos minerais, torna-se símbolo de soberania versus projeção de poder, forçando a OTAN a navegar entre defesa coletiva e interesses conflitantes.
O recuo tático de Trump alivia tensão imediata, mas não elimina desconfiança: gestos de barganha podem reemergir, testando resiliência da UE em equilibrar retaliação econômica com coesão militar.
A resposta europeia sinaliza maturidade institucional, priorizando diplomacia coletiva sobre concessões isoladas, mas revela vulnerabilidade quando o aliado principal age como rival.
